Todos os teus cheiros, manias
e temperos me levaram a loucura.
E eu estava na Sumatra,
a ilha mais distante do planeta
pra tentar te encontrar.
Caminhava por entre as bombas,
a poluição e a fome.
Respirando o caos e toda
a sua poesia nas ruas de Medan.
Meu coração ecoava toda a solidão
de uma prece muçulmana
e meus olhos refletiam
a dor de um conflito entre religiões.
Tanta guerra, tanta fome, tanta confusão.
Seguindo os vestígios teus,
eu me encontrava beijando a boca
do maior vulcão que encontrei.
Um beijo delicioso.
Subitamente todo o povo Batak cantava
teu nome num dialeto maravilhoso.
Por entre a libido enrustida
e amordaçada pelos infinitos
tabus que lá havia,
pulsava tua sensualidade proibida
de tímidos olhos orientais.
Teu cheiro entrava de forma
agressiva, corroendo minhas narinas.
Incensos afrodisíacos que carregavam
histórias de cinco mil deuses
misteriosos e voadores.
Finalmente era noite e os teus
cabelos filtravam todos os meus
sonhos, restando-nos apenas a brisa
sensual e misteriosa de Nias.
Eu estava no Paraíso.
Eu estava em Lagundri.
Sudeste Asiático 2007 - Bistro Lagundri