Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador o funcionamento da comunidade; após alguns dias na ilha.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador o funcionamento da comunidade; após alguns dias na ilha.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O funcionamento da comunidade

Apos alguns dias na ilha é possível compreender um pouco melhor 
o funcionamento da comunidade ao redor da pousada.
Ao lados das cabanas, existe uma pequena tribo 
que participa bastante nas funções de manutenção e limpeza 
de terreno da área da kings Fisher.
Um pouco mais atrás das montanhas existe outra tribo um pouco maior que se refugiou para lá depois que a tsunami invadiu toda a região próxima a praia.
Essa tribo sobrevive da colheita de matérias primas 
como por exemplo o cacau para a produção de chocolate, 
cravo para a produção de cigarros como gudang garam
e coco para a produção de óleos.
O que mais me chamou a atenção foi cheiro de cravo nas florestas.
Principalmente ao entardecer esse cheiro fica bem intenso.
Ao amassar uma folha de cravo, 
a mao fica perfumada por um bom tempo.
Um pouco mais para frente da floresta a mata tenta se recuperar aos poucos.
Em outubro do ano passado todo o terreno onde está a pousada foi destruído. 
Sobrou apenas a parte estrutural das cabanas e incrivelmente nesses últimos 10 meses todo o resto foi reconstruído com a ajuda do povo ao redor.
Mais do que apenas reconstruir, os siporas empenharam um grande capricho na finalização dos detalhes. 
As vigas foram milimetricamente reforçadas,
as folhas de coqueiros, utilizadas para confeccionar as paredes e os tetos, foram pacientemente trancadas e concedem uma certa unidade harmônica que até parece luxuosa. 
O resultado parece ter sido um trabalho de anos e nao apenas meses.
O Ben, proprietário da Kings Fisher, estava aqui quando a tsunami atingiu sua propriedade e sobreviveu porque conseguiu se agarrar firme em um pilar de madeira. Infelizmente muitas famílias nao conseguiram se agarrar em nenhum pilar e foram levadas pela massa d´agua.
As marcas desse acontecimento ainda são bem perceptíveis para o pessoal que mora por aqui.
E o respeito pelos que foram é algo bem sagrado para eles.
Entre os sobreviventes, uma das pessoas que Ben me mostrou foi kondar, um homenzinho forte de 40 anos a quem ele me pediu para manter certa distancia.
Kondar é considerado um Dunkun na comunidade. Dunkun para os siporas é uma posição hierárquica abaixo dos shamans, uma pessoa com alto poder religioso, capaz de realizar magias e sentir a presença dos espíritos.
Vale dizer que nao sei até onde acredito nessas coisas,
mas escrevo como relato da forma como eles enxergam a religiosidade aqui.
O Ben e sua família respeitam os locais e os locais respeitam a família do Ben
E assim ambos aprendem a coexistir pacificamente. 
É como se fosse o início da criação de uma comunidade, onde as regras vão se estabelecendo aos poucos e naturalmente.