Pesquisar este blog

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Algumas fotos de mentawaii

aqui era onde eu acordava,


 onde dormia,


e lia.


E eu nao fazia muito mais do que isso. Ainda bem ;)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O sol se pôs, temos que voltar para casa e...



A moto ta sem luz.
Já anoitecia quando juntávamos as pranchas na capa 
depois de uma sessão de surf para lá de crowdeada em Hollow Trees. O humor não estava dos melhores para mim e para o Eddie 
que ficamos sentados no outside por 2 horas para pegar duas ou três ondas. Mas é mentawai, o por do sol tava bonito, cheer up!
Bom, a tentativa de manter o bom humor foi logo em seguida trocada por aquela leviana sensação de “fodeu” quando vimos que a luz da moto realmente não ia pegar.
A nossa pousada em Lances Left ficava do outro lado da montanha 
e o caminho todo até lá era literalmente pela floresta.
Somado a isso tinha o pequeno detalhe de que passaríamos pela Vila onde havia sido detectada malária e a noite tem mais mosquitos que de dia.
No teve jeito, o Eddie guiou e fui na garupa segurando as pranchas.
Passamos ilesos dos mosquitos e mais a frente batemos de frente em uma arbusto que parecia ser a continuação da trilha.
Em outro trecho escorregamos no barro 
e para ficar mais divertido caímos da moto na subida.
Descemos da moto e fomos iluminando o caminho com o relógio na descida.
Depois de certo tempo a visão parecia ter se acostumado com o escuro e aí ficou quase instintivo descrever o caminho certo.
Teve a parte legal de escutar os macacos, enxergar os vaga lumes,
Levar tapa na cara das folhas dos coqueiros
e dar bastante risada quando enfim chegamos ao nosso destino. 

O funcionamento da comunidade

Apos alguns dias na ilha é possível compreender um pouco melhor 
o funcionamento da comunidade ao redor da pousada.
Ao lados das cabanas, existe uma pequena tribo 
que participa bastante nas funções de manutenção e limpeza 
de terreno da área da kings Fisher.
Um pouco mais atrás das montanhas existe outra tribo um pouco maior que se refugiou para lá depois que a tsunami invadiu toda a região próxima a praia.
Essa tribo sobrevive da colheita de matérias primas 
como por exemplo o cacau para a produção de chocolate, 
cravo para a produção de cigarros como gudang garam
e coco para a produção de óleos.
O que mais me chamou a atenção foi cheiro de cravo nas florestas.
Principalmente ao entardecer esse cheiro fica bem intenso.
Ao amassar uma folha de cravo, 
a mao fica perfumada por um bom tempo.
Um pouco mais para frente da floresta a mata tenta se recuperar aos poucos.
Em outubro do ano passado todo o terreno onde está a pousada foi destruído. 
Sobrou apenas a parte estrutural das cabanas e incrivelmente nesses últimos 10 meses todo o resto foi reconstruído com a ajuda do povo ao redor.
Mais do que apenas reconstruir, os siporas empenharam um grande capricho na finalização dos detalhes. 
As vigas foram milimetricamente reforçadas,
as folhas de coqueiros, utilizadas para confeccionar as paredes e os tetos, foram pacientemente trancadas e concedem uma certa unidade harmônica que até parece luxuosa. 
O resultado parece ter sido um trabalho de anos e nao apenas meses.
O Ben, proprietário da Kings Fisher, estava aqui quando a tsunami atingiu sua propriedade e sobreviveu porque conseguiu se agarrar firme em um pilar de madeira. Infelizmente muitas famílias nao conseguiram se agarrar em nenhum pilar e foram levadas pela massa d´agua.
As marcas desse acontecimento ainda são bem perceptíveis para o pessoal que mora por aqui.
E o respeito pelos que foram é algo bem sagrado para eles.
Entre os sobreviventes, uma das pessoas que Ben me mostrou foi kondar, um homenzinho forte de 40 anos a quem ele me pediu para manter certa distancia.
Kondar é considerado um Dunkun na comunidade. Dunkun para os siporas é uma posição hierárquica abaixo dos shamans, uma pessoa com alto poder religioso, capaz de realizar magias e sentir a presença dos espíritos.
Vale dizer que nao sei até onde acredito nessas coisas,
mas escrevo como relato da forma como eles enxergam a religiosidade aqui.
O Ben e sua família respeitam os locais e os locais respeitam a família do Ben
E assim ambos aprendem a coexistir pacificamente. 
É como se fosse o início da criação de uma comunidade, onde as regras vão se estabelecendo aos poucos e naturalmente.






sábado, 27 de agosto de 2011

Respiração funda, corpo relaxado, mente aberta.

27 de agosto, fim de tarde.

Uau, respiração funda, corpo relaxado, menta aberta.
Essa foi uma das melhores sessões de surf da vida!
com talvez as ondas mais consistentes até então surfadas 
por esses dois pés.
E olha que nem era para ser nada de mais.
Eu havia saído para dar uma volta de motoca pelo vilarejo
e na volta o barbudo do Ben vinha acenando com as bermudas penduradas.
Só para contextualizar, o Ben é um australiano de 34 anos, 
com uma barba de Noé!
Ele é também o dono da pousada e vive aqui nesse berço de mar desde 2001 com a sua mulher e agora com a filhinha de 1 ano.
O Ben é um cara muito do bem. 
Tá a toda hora com o “cigui” dele na boca
e um leve sorriso no rosto que transmite muita paz 
pra quem ta perto.
Mas então, ele tava saindo correndo (com o cigui na boca)
e a bermuda pendurada me chamando para surfar também.
Eram cerca de 5:30 da tarde e o sol já estava se pondo.
Restava apenas um barco no outside e um cara na água.
Bom, assim foi, dura essa vida!
Ben, eu e apenas mais um cara revezando 
esquerdas perfeitas de 2 metros!
A cor do mar já estava para um azul marinho 
devida a posição do sol,
O Céu tava da cor de vanilla
e nao havia vento algum.
Era uma sessão de surf relaxada, silenciosa,
apenas com o barulho da prancha sobre a água.
Pegamos algumas ondas até quase anoitecer 
e remamos sorrindo em silencio pelo canal.






A primeira onda em Mentawai


Acordei por volta das 5:30 da manha 
em meu primeiro dia em lances left
Ainda deitado na cama já era possível escutar o chiado das ondas enquanto amanhecia.
O visual do sol aparecendo aos poucos 
por entre os coqueiros era lindo.
Liguei para dar bom dia a minha namorada e começar o dia bem.
Café da manha com muitas frutas, prancha preparada, full fighters tocando para dar uma energia e com as botinhas nos pés atravessei a bancada de coral até o outside.
Havia uns 10 australianos posicionados, esperando a série.
Quando ela apareceu que consegui entender aonde eu havia me enfiado.
Eram 8 pés de onda vindo e os aussies gritando 
“mate, these waves are smoking”
Esperei um pouco mais para a direita da bancada e fiquei observando por algum tempo a formação das ondas antes que me metesse em uma roubada.
Alguns minutos depois a massa de água veio bem em minha direção.
Acontece que eu estava posicionado no lugar certo e tinha que dropar aquela.
Enquanto remava meus braços e minhas pernas tremiam pra cacete.
Meu amigo, naquela hora eu tava duuro como uma pedra!
Com o mínimo de coragem que sobrava ferrou tudo
e só me restou continuar a remada.
Dropei a onda com as pernas quase bambas 
e só fui respirar quando completei o drop e encaxei o bottom.
Nos próximos segundos segui apenas na parede 
enquanto a muralha ia se formando em  minha frente. 
Toda hora era rezar para que ela nao fechasse e puta la mieerda..
.. ela se segurava.
Passada a sessão, encontrei uma saída de escape antes dos corais.
O corpo todo pulsava de êxtase enquanto um cara remava sorrindo ao meu lado.
Nas próximas ondas o medo já tinha passado e aos poucos fui me sentindo em casa, rasgando e passeando nas ondas de lances.

To the sea.

10:46 am 25 de agosto de 2011.


Ha 12 horas viajo na cabine e2 da balsa em direção as ilhas mentawaii
Já dormi, já olhei o mar, tentei ler, pensei, observei e ainda nao chegamos a nosso destino. 
Minha bunda tá bem quadrada a essas horas.
A cama é só madeira. Aí você joga tua canga por cima como lençol e haiou ouei to the sea!

Agora a pouco o indonesiano que dorme na cama debaixo acordou para fazer suas preces da manha. Ficou por um bom tempo de pernas cruzadas olhando para o chão.

Assim como ele eu nao enjoei na viagem.
Teve gente que nao teve a mesma sorte e procurou a popa do barco.
Da cabine eu só ficava escutando hehe.

Neil Young ta combinando muito bem com a trilha sonora.
Trouxe comigo uma garrafa d’agua e duas de chá verde.
Procurei comer pouco para nao dar chances de enjoar.

A ondulação do mar já começa a criar na minha cabeça a imagem
de descer essas ondas quando elas atingirem a costa.

Por um lado é ruim nao estar mais com seus amigos para surfar junto.
Me despedi deles ontem, quando foram para o barco e eu peguei essa balsa.

Ficarei sozinho por 10 dias, mas terei a chance de conhecer gente de outros lugares. 
E essa coisa de nao saber nada do que vai acontecer é bem agradável.

Surfar sem os amigos passa mais medo,
Mas também traz mais coragem.
Se é sozinho que seguimos em boa parte dos desafios da vida, 
essa vai ser uma boa aventura.

To com certo frio na barriga. 
Bateu um swell grande nos últimos dias.
Quando chegar em Lances é possível que as ondas estejam em torno de 8 pés.











Para Kuala Lumpur eu nao volto mais.


Da Turquia seguimos para Kuala Lumpur.
Nem tenho muita vontade de falar sobre a cidade
a nao ser que todos nós achamos um saco passar o dia lá.

Quase tudo na ruas é falsificado 
e enquanto os vendedores ficam tentando te empurrar aquelas porcarias, 
normalmente fica um som meio Techno de 1998 tocando atrás.

Nao consegui definir que língua eles falar por lá.
Peguei um jornal e me perdi. Algumas horas tava em indiano, outras em malayo.

Em cada placa são três ou quatro traduções e chega uma hora que quem é de fora nao entende mais nada. A maioria das pessoas vem da índia ou da própria malásia, mas tem uma porrada de chinês perambulando pela cidade também.

A comida até para quem gosta de coisas esquisitas é difícil de encarar.
Eles jogam pepino, abobrinha e frango em um balde de óleo e bom apetite.
Acabamos ficando com um sanduíche do Starbucks mesmo.

Para nao dizer só coisas ruins da cidade, vale dizer que os eletrônicos são bem baratos pois são produzidos lá, as torres petronas são bonitas e malaysian airlines é legal pra caramba. 
Tem suco de goiaba uma tripulação muito gente boa vestida de roupas florais.

Dormimos dividindo quartos tamanho 3x3 em um hotel beira de estrada.
Até para usar a toalha tinhamos que pagar.
Essa parte foi divertida, mas ainda bem que só por um dia.